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Esqueçam ideologias: quem age contra o Brasil, dentro ou fora do país, abdica da própria nacionalidade

  • Glênio S. Guedes
  • 15 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de set. de 2025

“Ou Deus está acima do Brasil, ou o Brasil está acima de Deus. Em qualquer dos casos, a lógica naufraga.” — Eugênio Bucci, em Que não se repita


Em tempos de polarização e retórica extremada, é preciso reafirmar o óbvio: a defesa da pátria e das instituições republicanas está acima de disputas políticas ou fidelidades ideológicas. Parlamentares, independentemente de partidos, juram respeitar a Constituição e proteger os interesses nacionais. Quando rompem esse pacto, comprometem não apenas o mandato, mas a própria condição de representantes da Nação.


Infelizmente, temos assistido a movimentos que atravessam fronteiras e alianças externas para atacar o Brasil por dentro. A utilização de instrumentos legais estrangeiros — como a chamada Lei Magnitsky — contra magistrados e autoridades brasileiras configura, sob qualquer ângulo, um gesto de agressão à soberania nacional. Ainda mais grave é quando tal iniciativa conta com apoio interno de cidadãos ou representantes eleitos, que agem como cúmplices da erosão institucional.


A República não comporta lealdades familiares, religiosas ou ideológicas que se sobreponham ao nómos — a lei positiva, fundamento do Estado de Direito. Parlamentares que atuam em função de vínculos pessoais ou interesses de grupos, em detrimento da legalidade democrática, incorrem em grave infração à ética republicana. A lógica tribal — em que o sangue vale mais que o voto, e a fé substitui a razão pública — não tem lugar num Estado moderno.


O lema “Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”, amplamente difundido em anos recentes, é, como assinalou Eugênio Bucci, logicamente inconsistente. Ou Deus está acima do Brasil, ou o Brasil acima de Deus. Em qualquer das formulações, a lógica desaba. O slogan revela um uso oportunista da religião para encobrir atos que, quando desnudados, se revelam contrários ao interesse público.


Proteger a Nação é um dever contínuo e inegociável. Nenhum representante do povo tem o direito de sabotar a economia brasileira, deslegitimar as instituições nacionais ou instigar sanções contra o país. Atitudes desse tipo não se explicam como divergência política: configuram sabotagem.


Em nome da preservação do regime democrático, cabe ao Congresso Nacional e aos demais poderes reagirem a qualquer tentativa de instrumentalizar cargos públicos em prol de interesses pessoais ou cruzadas ideológicas. Urge que o Parlamento recupere sua função de guardião da República, e que as vozes responsáveis da sociedade civil se façam ouvir com clareza.


O Brasil já foi esfaqueado por dentro outras vezes, mas raramente com tanta naturalidade. Precisamos restaurar a indignação cívica. Como advertiu o jornalista Carlos de Laet, “nação que tolera o fel da traição sem o vômito da indignação, acostuma o paladar à servidão”.


A história não absolve os que traem seu país por conveniência ou fidelidade a causas externas. Mais do que lembrar os erros do passado, como faz Que não se repita, de Eugênio Bucci, é preciso agir no presente. Defender o Brasil é dever de todos — especialmente daqueles que, por voto ou por nomeação, ocupam funções públicas.


A pátria não é propriedade de um grupo. E quem se alia contra ela, onde quer que esteja, perde o direito moral de se dizer brasileiro.

 
 
 

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