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De como R$ 3 milhões por mês podem ensinar Direito Civil
Um contrato de 36 meses, R$ 131 milhões brutos e algumas perguntas para o próximo Exame de Ordem “Jamais permitindo que o anseio de ganho material sobreleve a finalidade social do seu trabalho.” — Código de Ética e Disciplina da OAB Por Glênio S Guedes (advogado) Nota do autor — Este artigo examina exclusivamente questões jurídicas suscitadas por contrato que integra documentação disponibilizada publicamente pelo Supremo Tribunal Federal após determinação de retirada do sigil
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11 de set.6 min de leitura
O espelho dos justos: a arte de curar o arbítrio alheio para esconder o próprio banquete
Entre canetadas cruzadas, atropelos de rito, a inércia mansa da presidência e o cinismo do palanque eleitoral, a corte entretém o país com uma guerra de nulidades — enquanto contratos milionários e a intimidade com um banqueiro evaporam na fumaça do espetáculo. Em memória de Thêmis, cuja venda nos olhos já não protege a imparcialidade da balança, mas poupa a própria deusa de ver o desnudamento de sua autoridade na praça pública... "Nada assenta melhor a um homem sob suspei
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9 de set.5 min de leitura
O fetiche da imunidade togada: o STF sob a perspectiva do constitucionalismo sul-americano
A velocidade da resposta institucional chilena e colombiana expõe o mito de que fiscalizar cortes de cúpula fere a independência judicial: a impunidade do vértice corrói a própria República. "Se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário. Se os governantes fossem anjos, nenhum controle interno ou externo sobre o governo seria necessário." — James Madison, O Federalista, nº 51 Por Glênio S Guedes (advogado) I. O mito da intangibilidade do vértice judiciário Na tra
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8 de set.5 min de leitura
O Eleitor e a Capacidade Intrínseca
Um estudo clínico das promessas, das amnésias e da estranha vitalidade das urnas “A democracia é uma senhora respeitável; pena que seus pretendentes só a procurem em época de casamento.” Por Glênio S Guedes (advogado) Aproximam-se as eleições, e o Brasil comparece à consulta com a dignidade possível a um organismo que há muito se examina por espelhos. Candidatos, partidos, comentaristas e autoridades trazem diagnósticos diversos, quase todos acompanhados da mesma certeza: a e
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5 de set.4 min de leitura
A Omertà dos Três Poderes
O ecossistema vorcárico, a captura do Estado pelas finanças e a anatomia da autodestruição corporativa "Todo o arranjo da conciliação das elites dependia, porém, da proteção de cada um dos protagonistas da captura estatal pelo Sistema Vorcárico (...) Agora, uma peça fundamental desabou." — Demétrio Magnoli, Um pacto em ruínas (Folha de S.Paulo, 4 de setembro de 2026) "Ao contrário dos garotos de programa da vida real, que ao menos mantêm a decência profissional de combinar
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5 de set.4 min de leitura
Quem julga os guardiões?
O caso Master e os limites do autocontrole no Supremo Tribunal Federal Para Zé Antônio, engenheiro por formação, jurista in fieri — e raramente in petto ; e para Samira, uma Gaia Afrânia do século XXI, que jamais lhe deixa uma tese sem resposta. Quis custodiet ipsos custodes? — Juvenal, Sátira VI Por Glênio S Guedes (advogado) Há crises institucionais provocadas pelo excesso de poder; outras, por sua escassez. Existem, porém, crises mais interessantes — e talvez mais perigosa
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4 de set.9 min de leitura
Posso falar de relacionamento amoroso e coisas que tais enquanto o mundo está acabando?
Dos problemas que temos no mundo ao pequeno problema de continuarmos tendo um “O que separa o homem dos bichos é que o homem sabe que é irracional.” — Luis Fernando Verissimo Por Glênio S Guedes (advogado) Claro que pode. Pode falar de amor, sobretudo. De amores começados, terminados e, categoria talvez mais numerosa, daqueles que ninguém sabe exatamente em que estado se encontram. Pode discutir se o silêncio de três horas no WhatsApp constitui abandono afetivo, estratégia de
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31 de ago.4 min de leitura
The Knowledge: por que políticos brasileiros não fazem essa prova?
Enquanto taxistas londrinos decoram ruas, atalhos e destinos, a República brasileira ainda discute se seus condutores precisam saber para onde levam o país. Por Glênio S Guedes (advogado) Eis um fato : há homens públicos que conhecem todas as portas do poder; o inconveniente é não saberem onde fica a saída. Existe em Londres uma prova que parece desumana, especialmente aos olhos de quem julga que toda dificuldade é uma forma antipática de elitismo. Chama-se The Knowledge. Par
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19 de ago.5 min de leitura
Viajar: conhecer o mundo ou apenas consumi-lo?
Inspirado pelas memórias de Claude Lanzmann, este ensaio propõe uma pergunta incômoda: quando foi que a viagem deixou de ser um encontro com o desconhecido para tornar-se apenas um catálogo de experiências previamente embaladas? "Viajar não é mudar de paisagem; é permitir que a paisagem mude alguma coisa em nós." Ao amigo Markson Vieira Coelho, que há anos constrói, com discrição e competência, a arquitetura invisível de tantas viagens. Ao cuidar de voos, hospedagens, desloca
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3 de ago.5 min de leitura
Nas margens da lei
Como um manuscrito medieval explica por que interpretar sempre foi tão importante quanto legislar "As leis ocupam poucas linhas. As civilizações jurídicas escrevem o restante nas margens." Por Glênio S Guedes (advogado) Quem abre, pela primeira vez, um antigo manuscrito jurídico medieval costuma experimentar uma estranha sensação. Procura a lei e quase não a encontra. No centro da página existe um pequeno bloco de texto, cuidadosamente copiado em letras maiores. Ao redor dele
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2 de ago.5 min de leitura
A montanha engarrafada
O inverno, a dupla poda e as vinícolas que estão mudando a história do vinho brasileiro. "Há montanhas que produzem pedra. Outras, quando encontram mãos pacientes, produzem história." Por Glênio S Guedes (advogado) Durante muitos anos, afirmou-se, com a solenidade própria das certezas prematuras, que o Brasil jamais seria um país de grandes vinhos. Os mais generosos acrescentavam um advérbio de consolo: ainda. Os mais severos dispensavam qualquer esperança. O argumento pareci
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27 de jul.6 min de leitura
A segunda vindima da Serra Fluminense
Como vinhedos, fazendas históricas e enoturismo estão redesenhando o mapa do vinho no Estado do Rio de Janeiro. "As paisagens também amadurecem. Algumas apenas precisam de tempo; outras, de videiras." Por Glênio S Guedes (advogado) Durante muito tempo, pareceu existir um acordo silencioso acerca do Estado do Rio de Janeiro. Coube-lhe fornecer ao imaginário nacional praias, samba, carnaval, montanhas imperiais e cartões-postais. O vinho, dizia-se sem grande cerimônia, pertenci
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27 de jul.7 min de leitura
Senhor Musk, antes de colonizarmos Marte, permita-me uma dúvida terrestre: o fim da escassez elimina o desejo?
Entre a promessa da abundância tecnológica e a antiga pobreza de sentido que acompanha a condição humana. "A solução do mistério é sempre inferior ao mistério. O mistério participa do sobrenatural e do divino; a solução, do jogo manual." — Jorge Luis Borges, O Aleph Por Glênio S Guedes (advogado) Há quem olhe para Marte e veja um planeta. Elon Musk olha e vê um destino. Eu o olho e vejo uma pergunta. É difícil não admirar alguém que conseguiu transformar tantas improbabilidad
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26 de jul.3 min de leitura
Neojuricídio Tributário: Quando o Fisco ignora a Constituição para acelerar a arrecadação
"Se alguém tem direito a algo, então é errado que o governo lhe negue, mesmo que seja do interesse geral fazê-lo." — Ronald Dworkin Por Glênio S Guedes (advogado) O cenário fiscal brasileiro é historicamente marcado pela tensão ininterrupta entre a necessidade de custeio do Estado e a preservação das garantias fundamentais do contribuinte. O pano de fundo dessa disputa revela cifras superlativas: hoje no Brasil, 22,5 mil contribuintes devem R$ 2,3 trilhões à União em dívidas
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21 de jul.3 min de leitura
O Masturbador de Sua Majestade
Rumor, favoritismo e poder na corte de D. João VI À memória dos historiadores que preferem as perguntas às certezas. E a El Toro e seus homólogos, que tanto nos divertem com suas proezas inenarráveis! Por Glênio S Guedes (advogado) Pode um capítulo de livro dar origem a um artigo? A pergunta parece modesta; a resposta, ao menos neste caso, é afirmativa. Há capítulos que terminam na última página. Outros continuam a ser lidos muito depois de fecharmos o livro. O capítulo 13 —
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21 de jul.4 min de leitura
O Brasil dorme?
O despertar de uma República começa quando ela reaprende a dizer “não” “Sapere aude! Tem coragem de servir-te do teu próprio entendimento.” Immanuel Kant Por Glênio S Guedes (advogado) Acordar é um ato cotidiano e, por isso mesmo, profundamente suspeito. Levantamo-nos da cama, abrimos as cortinas, consultamos o telefone e concluímos, com a modéstia própria dos grandes equívocos, que já estamos despertos. O corpo abandonou o travesseiro; quanto ao espírito, não convém importu
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12 de jul.4 min de leitura
As duas farmácias da democracia
Uma caminhada por Bogotá para recordar por que a liberdade depende das leis e da coragem cívica «¡Colombianos! Las armas os han dado la independencia; las leyes os darán la libertad.»Francisco de Paula Santander Por Glênio S Guedes (advogado) Há cidades que se visitam pelos museus. Outras, pela gastronomia ou pela arquitetura. Bogotá, para mim, tornou-se uma cidade a ser percorrida por razões mais discretas: ela conserva, em seu centro histórico, duas pequenas farmácias da de
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5 de jul.10 min de leitura
As mulheres pensadoras da Índia: uma história de três mil anos
Da metafísica védica às reformas sociais modernas: por que a Índia preservou uma das mais longas tradições intelectuais femininas da humanidade "Há civilizações que conservaram templos; a Índia conservou também as vozes de mulheres que pensaram o universo, a liberdade e a condição humana." O autor registra seu agradecimento à Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo 2026), que teve a República da Índia como país convidado de honra. As exposições ali apresentadas, especia
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3 de jul.10 min de leitura
Por que um museu consegue fazer um objeto falar?
Os semióforos do Museu Paulista e a construção simbólica da história do Brasil À Fernando (para quem toda viagem começa na Sorbonne e termina em alguma inesquecível experiência de campo) e Ricardo (o Galeno dos infantes, ajudando o Brasil a crescer alguns centímetros, todos os dias), amigos fraternos, cuja inteligência, generosidade e permanente entusiasmo pela cultura brasileira são também autores invisíveis destas páginas. Com eles, reaprendi que o Brasil continua valendo a
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2 de jul.5 min de leitura
O compliance tornou-se o novo sigilo bancário
Como o dever de conhecer o cliente substituiu o dever de ocultar sua identidade e transformou a própria natureza da atividade bancária "Durante quase um século, perguntava-se ao banco se ele sabia guardar um segredo. Hoje pergunta-se se ele sabe descobrir a verdade." Por Glênio S Guedes (advogado) Há instituições jurídicas cuja força não reside apenas nas normas que as disciplinam, mas também no imaginário que conseguem construir. Durante boa parte do século XX, poucas desper
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29 de jun.5 min de leitura
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