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Todos os artigos
Todo caso jurídico é um problema filosófico?
Ontologia, epistemologia e ética nos bastidores da decisão judicial “Os homens acreditam julgar os fatos. Muitas vezes julgam conceitos sem o saber.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. A ilusão da superfície Há alguns anos, uma cidadã irlandesa chamada Marie Fleming levou ao Supremo Tribunal de seu país uma questão aparentemente simples. Portadora de doença degenerativa grave, desejava obter o reconhecimento jurídico do direito de receber auxílio para encerrar a própria vida
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há 5 dias6 min de leitura
E se Brasil e Colômbia fossem operar?
Notas anestésicas de Simão Bacamarte sobre duas repúblicas latino-americanas “Há pacientes cuja enfermidade está nos órgãos; outros a carregam nos costumes.” “O problema de certas repúblicas não é a cirurgia. É sobreviver à anestesia.” Por Glênio S Guedes (advogado) Na antessala cirúrgica das nações latino-americanas, Brasil e Colômbia aguardavam a avaliação pré-operatória. Ambos haviam sido encaminhados para procedimentos reparadores complexos — daqueles que exigem não apena
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14 de mai.5 min de leitura
A embriaguez das cláusulas gerais
Como o civil law latino-americano transformou indeterminação em virtude “Há legisladores que escrevem regras;outros escrevem convites hermenêuticos.” Por Glênio S Guedes (advogado) Durante muito tempo, acreditou-se que a principal função de um código civil consistia em reduzir incertezas. Não era uma pretensão modesta. Codificar significava condensar, em linguagem técnica e relativamente estável, um conjunto de critérios aptos a disciplinar a vida privada, limitar arbitraried
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13 de mai.5 min de leitura
O Direito não é máquina, é ecossistema
Por que ler Tópicos Constitucionales y Procesales del Saber Judicial, de María Patricia Balanta Medina Por Glênio S Guedes (advogado) Existe uma curiosa superstição moderna segundo a qual bastaria acrescentar mais tecnologia, mais protocolos, mais formulários eletrônicos e mais inteligência artificial ao sistema de Justiça para que o velho drama humano finalmente se rendesse à eficiência administrativa. A acreditar em certos entusiastas da automação jurídica, o futuro ideal d
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9 de mai.5 min de leitura
Constituições magníficas, Estados improvisados: Bolívar entenderia a América do Sul de hoje?
“a excelência de um governo não consiste em sua teoria, nem em sua forma, nem em seu mecanismo, mas em ser adequado à natureza e ao caráter da nação a que se destina.” — Simón Bolívar, Discurso de Angostura (1819), apud Marco Antonio Villa, A História em Discursos Por Glênio S Guedes (advogado) Há frases históricas que envelhecem depressa. Outras, porém, atravessam os séculos com a inconveniência dos espelhos honestos — esses objetos indelicados que insistem em revelar rugas
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8 de mai.5 min de leitura
Em Bogotá, certos restaurantes já não oferecem cardápios: oferecem cosmologias
“O prazer da mesa pressupõe os cuidados precedentes para preparar a refeição, para escolher o local e reunir os convivas.”— Brillat-Savarin Por Glênio S Guedes (advogado) Houve tempo em que os restaurantes se contentavam em servir comida. E já era tarefa nobilíssima. Um bom molho, uma cocção precisa, um vinho honesto e convivas minimamente civilizados bastavam para que o espírito humano se declarasse satisfeito. A posteridade gastronômica, aliás, ergueu monumentos inteiros so
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7 de mai.6 min de leitura
O contrato já não promete estabilidade: administra incertezas
“La propia realidad social siempre cambiante y compleja, por lo mismo, muy difícil de planificar.”— Rafael E. Fierro Méndez, Contratos incompletos – perspectiva jurídica. Schola Advocatus – Revista del Colegio de Abogados de la Universidad Libre de Barranquilla (CAULBQ), Barranquilla, n. 1, p. 26 et seq., dez. 2023. “O problema do contrato nunca foi faltar cláusulas; foi sobrar realidade.” Por Glênio S Guedes (advogado) Durante largo tempo, o contrato acreditou em si mesmo co
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6 de mai.5 min de leitura
O Kamasutra e a arte perdida de desejar
“A cama, no Kamasutra, começa muito antes do colchão: começa na palavra, no perfume, no olhar, na música, na espera.” “Sem linguagem, o desejo é apenas pressa.”(antiga sabedoria indiana) À FILBo 2026, que este ano rende justa homenagem à Índia, civilização que soube transformar até o desejo em matéria de reflexão. Por Glênio S Guedes (advogado) Somos, todos, textos em movimento. Textos que leem, que recolhem, que se deixam emendar por outros textos, numa espécie de marginália
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3 de mai.6 min de leitura
Onde moram os juízes brasileiros que dizem ganhar mal? “Brasnasa” conseguiu a resposta. Seu país é o Jusabsurdistão; o planeta: Platurno; e a galáxia: Paradoxiláctea.
Por Glênio S Guedes (advogado) Há perguntas que nascem de um espanto legítimo e outras que florescem do mais puro descompasso entre o que se diz e o que se vive. Esta pertence, decididamente, à segunda espécie. Onde, afinal, residem os juízes brasileiros que afirmam ganhar mal? A resposta, após diligente investigação conduzida pelos atentos cronistas de “Brasnasa”, não poderia ser mais elucidativa: habitam o Jusabsurdistão, situado no planeta Platurno, na vasta e não menos in
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22 de abr.3 min de leitura
Checklist do Recurso de Revista na execução: o erro que impede o exame da penhora de aposentadoria
Por Glênio S Guedes (advogado) Há acórdãos que decidem; e há acórdãos que ensinam . O julgamento do TST (2ª Turma) no AIRR 0089200-91.1994.5.02.0472 , publicado em abril de 2026, pertence à segunda espécie: ele é, simultaneamente, uma lição de técnica recursal — daquelas que reprovam sem apelação o descuido formal — e um retrato bastante nítido da relativização da impenhorabilidade de proventos sob o CPC/2015 , quando em jogo está crédito trabalhista . A moldura é típica d
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21 de abr.5 min de leitura
Parecer sucessão não é ser sucessão — e o CTN, no art. 133, cobra o “ser”
Por Glênio S Guedes (advogado) 1. Proêmio: entre a aparência e a substância, mora a responsabilidade Há um vício recorrente — quase uma tentação hermenêutica — no trato das execuções fiscais: supor que a continuidade visível de uma atividade econômica, no mesmo chão e sob idêntico ofício, baste para transmudar terceiros em devedores. O impulso é compreensível; a Fazenda Pública, ao farejar a dissolução prática do contribuinte, busca preservar a utilidade do processo e impedir
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21 de abr.6 min de leitura
O problema não é ensinar Direito em meio ao caos; é fingir que não há caos dentro do próprio Direito
Por Glênio S Guedes (advogado) Ensinar Direito costuma começar por uma promessa silenciosa: a de que existe um sistema. Um sistema coerente, hierarquizado, harmônico — uma arquitetura normativa na qual cada elemento ocupa o seu lugar e cada conflito encontra, em algum ponto, a sua solução adequada. Essa promessa, embora pedagogicamente sedutora, repousa sobre uma simplificação que, levada além de certos limites, deixa de ser didática para se tornar ilusória. Nos primeiros con
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19 de abr.4 min de leitura
Direito Penal no Brasil hoje: entre Beccaria e o naufrágio — ou quando a lei já não basta
“Há momentos em que o óbvio precisa ser reaprendido — porque deixou de ser praticado.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há épocas em que o Direito avança — e outras em que ele se convence de que avançou, quando, na verdade, apenas mudou de linguagem. A diferença entre uma coisa e outra, embora sutil à primeira vista, revela-se decisiva quando se trata de Direito Penal, esse domínio em que a liberdade individual é colocada à prova não por metáforas, mas por decisões que têm peso
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15 de abr.6 min de leitura
O mundo voltou a ser hobbesiano — e o Brasil ainda raciocina como se fora kantiano
Por Glênio S Guedes (advogado) Há ideias que confortam — e há ideias que explicam. As primeiras são preferidas em tempos de tranquilidade; as segundas tornam-se indispensáveis quando o mundo decide, com certa impaciência, abandonar as boas maneiras. Durante décadas, o Brasil habituou-se à confortável suposição de que a ordem internacional evoluía, lenta e irreversivelmente, em direção a um sistema regido por normas, instituições e consensos. Era uma hipótese elegante, quase p
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13 de abr.5 min de leitura
El Jusniño e La Jusniña: a instabilidade paradigmática do Direito brasileiro contemporâneo
“Quando o ‘normal’ precisa ser redefinido continuamente, já não estamos diante de variações — mas de um novo regime.” Por Glênio S Guedes (advogado) Conta-se — e não sem alguma indulgência — que houve um tempo em que o Direito brasileiro aspirava à estabilidade. Não se exigia dele a perfeição, o que seria pedir demais, mas ao menos uma certa previsibilidade: que dissesse hoje algo que pudesse ser reconhecido amanhã, que sustentasse suas próprias palavras por mais de uma estaç
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5 de abr.4 min de leitura
A regulamentação da LC 225/26 e a densificação do conceito de devedor contumaz
“Conceitos vagos tornam-se instrumentos quando o poder os define.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. O momento da passagem: da lei ao instrumento Toda lei nasce em estado de promessa. Sua eficácia plena não se encontra no texto inaugural, mas naquilo que lhe sucede: a interpretação, a aplicação — e, sobretudo, a regulamentação. É nesse momento que o Direito deixa de ser linguagem e passa a ser técnica de governo. A Lei Complementar nº 225/2026, ao instituir o chamado Código
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2 de abr.4 min de leitura
À procura do homem: Diógenes atravessa o Brasil e não encontra o Direito
Supersalários, máfias financeiras, CPIs interrompidas e eleições opacas revelam uma crise mais profunda: não é apenas a política que falha — é a própria ideia de Direito. Por Glênio S Guedes ( advogado ) Conta-se — e não é mera anedota, mas parábola filosófica — que Diógenes, o cínico, percorria as ruas de Atenas em plena luz do dia, empunhando uma lanterna acesa, não por necessidade de ver, mas por urgência de encontrar. Procurava o homem. Não o corpo humano, abundante e ban
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27 de mar.5 min de leitura
O novo ouro do século XXI: por que investir em terras raras no Brasil agora
Presentes em tudo — de turbinas eólicas a smartphones —, esses minerais colocam o Brasil no mapa da nova economia global. “Há riquezas que não jazem no solo — jazem no tempo.” Por Glênio S Guedes (advogado) I. O subsolo que fala — mas ainda não foi ouvido Há, no Brasil, uma estranha dissonância entre o que se sabe e o que se faz. Como se o país, dotado de uma geologia pródiga e de uma história científica notável, tivesse decidido — por uma dessas ironias que a realidade culti
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24 de mar.4 min de leitura
Ainda vale a pena fazer testamento? E planejamento sucessório? Sim — e a série “O testamento: O segredo de Anita Harley”, da Globoplay, prova isso
"Morrer é apenas deixar de viver; mas morrer sem dizer o que fazer com os próprios bens é deixar que outros decidam o que você nunca disse." Por Glênio S Guedes ( advogado ) I — A morte sempre foi certa; o destino da herança, nem sempre Há assuntos que a humanidade prefere adiar indefinidamente. A morte é um deles. O destino do patrimônio depois dela, outro. Entre ambos, ergue-se um instituto jurídico antigo, silencioso e discretamente civilizador: a sucessão . Durante século
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13 de mar.6 min de leitura
Quer ficar mais inteligente? Visite Cantagalo e passe no museu de Euclides da Cunha
“Os Sertões é um consórcio entre ciência e arte.”— Leopoldo M. Bernucci Ao povo de Cantagalo, que teve a fina audácia de conservar o cérebro de Euclides da Cunha — gesto que, convenhamos, é uma das formas mais inteligentes de patriotismo cultural. Por Glênio S Guedes ( advogado ) Onde mora o pensamento Há perguntas antigas que nunca nos abandonam. Uma delas — talvez a mais antiga de todas — é esta: onde mora o pensamento? Durante séculos, filósofos e médicos disputaram o end
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13 de mar.4 min de leitura
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