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A uva não sabe latim, mas domina o alfabeto genético
“Antes do sabor, existe uma gramática.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Prólogo — em que se pede licença à taça Convém avisar ao leitor, antes que ele se sirva da primeira taça, que este texto não pretende ensinar latim à uva — tarefa inútil — nem reduzir o vinho a um exercício de laboratório — tarefa aborrecida. Quer apenas lembrar um fato simples, desses que passam despercebidos por parecerem óbvios depois de explicados: a videira nasce alfabetizada . Não no latim dos rótu
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31 de jan.3 min de leitura
Se os Países Fossem Pessoas, Quais Deles Lograriam Terminar uma Faculdade de Educação Física?
Um exercício de ficção heurística à luz da filosofia do "Como Se" de Hans Vaihinger "A realidade é demasiado complexa para ser compreendida; por isso a falsificamos, e às falsificações chamamos conhecimento." — Hans Vaihinger, Philosophie des Als Ob (Artigo em homenagem aos impertérritos professores de Educação Física mundo afora) Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. Prolegômenos: A Ficção Como Instrumento Epistêmico Hans Vaihinger, em sua Philosophie des Als Ob (1911), propõ
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30 de jan.8 min de leitura
Nostalgia Não É Estratégia ante um Mundo em Ruptura
O discurso de Mark Carney em Davos aponta o caminho para potências médias como o Brasil em uma ordem global fragmentada. Tradução : Brasil, você está por sua conta... Por Glênio S Guedes ( advogado ) Dois Discursos, Duas Visões No Fórum Econômico Mundial de 2025, em Davos, o palco recebeu dois líderes norte-americanos com mensagens diametralmente opostas. Donald Trump, recém-empossado para seu segundo mandato, ofereceu o já esperado: um discurso "confuso, impregnado de resse
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28 de jan.7 min de leitura
Pare de mentir: você nunca experimentou um rosé de verdade
"Seu problema não é com o rosé. É com você mesmo." — Anotação de um sommelier cansado "Convenhamos: discriminar vinho refrescante em país tropical é, no mínimo, burrice." — Jorge Lucki, Valor Econômico Por Glenio S Guedes ( advogado ) Em homenagem ao primeiro casal rosé da Gama Filho ( Turma de Direito ) 40 anos depois Janeiro de 2026 — Enquanto vinícolas francesas desembarcam no Brasil com planos de eventos sofisticados em Fernando de Noronha e Trancoso, apostando que o me
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27 de jan.8 min de leitura
O ITCMD e o adeus à inocência sucessória
“Toda ingenuidade fiscal tem data de vencimento.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. A sucessão como fato jurídico perfeito A sucessão não é um evento administrativo, tampouco um expediente contábil. Ela é, antes de tudo, um fato jurídico complexo , cujo núcleo — a morte — irradia efeitos jurídicos imediatos , independentemente de reconhecimento estatal posterior. Desde o Direito Romano, a abertura da sucessão coincide com o óbito, e não com a partilha, a homologação judicia
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27 de jan.3 min de leitura
Fisco antecipatório? Demandas judiciais à frente...
“Quando o Estado passa a tributar o futuro, o Judiciário é convocado a proteger o presente.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Durante muito tempo, o sistema tributário brasileiro foi marcado por uma curiosa assimetria: o contribuinte sempre pagou antes , enquanto o Estado decidia depois . A reforma tributária em curso não elimina esse desequilíbrio — mas o reorganiza sob nova lógica. Surge, agora de forma explícita, o que se pode chamar de Fisco antecipatório . Não se trata a
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27 de jan.3 min de leitura
Resultado da leitura do depoimento de Vorcaro à Polícia Federal: o que as elites querem do Brasil? Sugá-lo, ou fazê-lo crescer?
“A dominação mais eficaz é aquela que não se reconhece como dominação.” (Jessé Souza) Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. O depoimento como documento sociológico involuntário Há documentos que dizem mais do que pretendem dizer. O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal é um deles. Lido apenas como peça defensiva, ele perde densidade. Lido como documento sociológico involuntário , ele revela algo mais profundo: a racionalidade prática das elites econômicas brasileiras .
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26 de jan.4 min de leitura
Do Tokaj húngaro e outros vinhos: “bebidas feitas para envelhecer em um mundo sem paciência”
O vinho foi feito para um mundo que sabia esperar... Artigo em homenagem às pessoas que ainda conseguem tempo para conversar... Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há vinhos que não têm pressa. Não por preguiça — vício hoje intolerável —, mas por coerência interna. O Tokaj húngaro é um deles. Não se oferece ao primeiro gole apressado, não se explica em frases curtas, não se deixa reduzir a uma impressão imediata. Exige tempo. E, como toda coisa que exige tempo, tornou-se um prob
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26 de jan.4 min de leitura
Davos e a Metafísica do Vazio: Tratado sobre a Eloquência que Nada Diz
"Eles não mentem. Simplesmente redesenham a verdade até ela não incomodar ninguém." — Parafraseando Orwell Por Glênio S Guedes ( advogado ) ABERTURA: A Pergunta que Não Quer Calar Cada vez que leio sobre as reuniões em Davos, me belisco indagando o seguinte: eles acham que a população do planeta Terra é uma massa de idiotas, ou não acham — têm certeza? Porque é preciso um nível estratosférico de autoconfiança para, num mesmo discurso, falar de "transição energética" enquanto
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26 de jan.10 min de leitura
Da Dilapidação Moral do STF
Por que a Corte precisa voltar a ser vista — e a agir — como um tribunal de juristas “Ius non est ars dominationis, sed ars aequi.” (O direito não é a arte de dominar, mas a arte do justo.) Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Quando a crise deixa de ser política e se torna moral Há crises institucionais que se resolvem com reformas procedimentais. Outras, com ajustes legislativos. Mas há crises mais profundas — aquelas que não dizem respeito apenas ao funcionamento das insti
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22 de jan.4 min de leitura
O Brasil regulado por guaxinins: uma hipótese nada absurda
Quando a realidade se torna grotesca, a sátira deixa de ser humor e passa a ser diagnóstico. Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introduzindo — quando o absurdo deixa de ser metáfora Toda sátira nasce de um desconforto. Mas há momentos em que o desconforto é tão persistente que a sátira deixa de ser exagero e passa a ser descrição fiel . O Brasil contemporâneo vive um desses momentos: quando órgãos concebidos para operar com técnica, autonomia e previsibilidade passam a funci
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22 de jan.3 min de leitura
Até o Hulk é mais civilizado que Trump
“Nem todo monstro destrói cidades. Alguns destroem regras.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há monstros que esmagam prédios. Outros, mais discretos e perigosos, corroem normas. A civilização sempre soube lidar melhor com os primeiros do que com os segundos. O colapso não começa quando as cidades ardem; começa quando as regras deixam de valer. Não é casual que a metáfora do Hulk tenha retornado ao debate público pelas palavras de Mark Ruffalo , o ator que lhe deu rosto e corp
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21 de jan.4 min de leitura
Da abdicação ética do juiz: “não fui eu, foi o sistema…”
“Quando ninguém decide, a injustiça decide sozinha.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. A nova desculpa perfeita: “o sistema decidiu” Poucas expressões revelam com tanta clareza o mal-estar contemporâneo da jurisdição quanto a frase, dita quase sempre em tom de alívio: “não fui eu, foi o sistema” . Ela aparece sob roupagens variadas — o precedente vinculante, o protocolo institucional, o algoritmo de triagem, a inteligência artificial decisória — mas carrega sempre a mesma p
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18 de jan.4 min de leitura
O novo Código de Defesa do Contribuinte já em juízo: como construir teses defensivas eficazes à luz da LC 225/26
Por Glênio S Guedes ( advogado ) Introdução A entrada em vigor da Lei Complementar nº 225/2026 inaugura uma mudança qualitativa no contencioso tributário brasileiro. Ao instituir o denominado Código de Defesa do Contribuinte , o legislador não apenas sistematizou direitos e deveres, mas alterou o regime normativo de presunções, deveres administrativos e standards decisórios que informam a atuação do Fisco e o controle jurisdicional dessa atuação. A LC 225 não se apresenta co
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16 de jan.4 min de leitura
O mundo virou cláusula contratual
Geopolítica como fonte do direito no Top Risks 2026 “Hoje, antes de perguntar qual é a lei aplicável, é preciso perguntar qual é o risco dominante.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: quando o mundo começa a legislar Durante muito tempo, ensinou-se aos juristas que a geopolítica era contexto : algo relevante para economistas, diplomatas e estrategistas, mas apenas indiretamente útil ao direito. Essa separação tornou-se insustentável. O Top Risks 2026 , elaborado
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13 de jan.4 min de leitura
Entre o incentivo e a exclusão: o devedor contumaz como figura central do novo Direito Tributário brasileiro
“Incluir uns é sempre, também, excluir outros.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução A Lei Complementar nº 225/2026 inaugura, no Direito Tributário brasileiro, um marco normativo ambicioso ao instituir o chamado Código de Defesa do Contribuinte . A iniciativa pretende reorganizar a relação entre Fisco e contribuinte por meio de três vetores centrais: a positivação de direitos e deveres, a promoção da conformidade tributária e a repressão qualificada de condutas cons
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11 de jan.5 min de leitura
A máquina pensa. O burro também. Julgar é outra coisa.
Por que pensar não basta para julgar no Direito Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução – quando o verbo engana “Pensar” é um verbo traiçoeiro. Ele sugere densidade, profundidade, racionalidade. No entanto, pensar, em seu sentido mínimo, é apenas processar informações . Um animal pensa. Uma máquina pensa. Um algoritmo pensa. Pensar, portanto, não distingue o humano. O erro contemporâneo — especialmente no Direito — está em confundir pensamento com julgamento , cálculo
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11 de jan.3 min de leitura
O Triunfo do Predador e o Silêncio das Pombas: Uma Autópsia Biojurídica da Geopolítica Atual
"Se o Falcão pode vencer a curto prazo, qual é o fundamento que nos obriga moralmente a não sermos Falcões?" Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. O Colapso do Relógio Público Quando a liderança norte-americana declara a irrelevância do Direito Internacional, submetendo a soberania alheia à sua "própria moral", assistimos a algo mais grave que uma crise diplomática: assistimos à quebra do Jogo da Coordenação . Para entender a gravidade disso, recorramos ao exemplo singelo trazi
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10 de jan.4 min de leitura
Hipocrisia soberana: a nova gramática do poder global
“Não é o Direito que limita o poder; é o poder que decide quando o Direito vale.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) A pergunta que inaugura este ensaio pode soar provocativa, talvez até incômoda: é possível transformar a hipocrisia em instituto jurídico? Não como vício moral episódico, mas como técnica estável de exercício do poder . O cenário internacional contemporâneo indica que sim — e que essa transformação já está em curso. A atuação recente dos Estados Unidos sob a lid
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6 de jan.3 min de leitura
Do homem universal ao gestor da inteligência alheia
Polimatia, big techs e a terceirização da síntese do saber à luz de Peter Burke “Saber muitas coisas não é o mesmo que compreender o todo.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução — A pergunta deslocada Vivemos uma época paradoxal. Nunca houve tamanha abundância de informação, tamanha capacidade técnica de cruzar dados, integrar saberes e circular conteúdos entre áreas distintas. E, no entanto, raramente se falou tanto na crise da compreensão, na fragmentação do conhec
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5 de jan.4 min de leitura
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